Paraná libera R$ 300 milhões em créditos de ICMS para apoiar empresas
exportadoras após tarifaço
Os R$ 300 milhões
serão disponibilizados ainda em agosto. Este valor será concedido como crédito
a empresas impactadas, liberados via Sistema de Controle da Transferência e
Utilização de Créditos
O Governo do
Paraná, por meio da Secretaria da Fazenda, confirmou nesta sexta-feira (08) um
pacote de R$ 300 milhões em créditos de ICMS homologados para auxiliar empresas
impactadas pelas recentes tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos.
A medida visa respaldar ainda mais a economia local, injetando recursos nos
setores produtivos mais impactados. Essa medida tinha sido anunciada há algumas
semanas dentro das iniciativas da administração estadual de apoio ao setor
produtivo e agora conta com valor específico.
Os R$ 300 milhões
serão disponibilizados ainda em agosto. Este valor será concedido como crédito
a empresas impactadas, liberados via Sistema de Controle da Transferência e
Utilização de Créditos Acumulados (Siscred). Há um teto de R$ 10 milhões apenas
para empresas que exportam menos de 10% do seu faturamento total para os EUA.
As transferências serão realizadas em 12 parcelas mensais, garantindo liquidez
imediata aos setores, principalmente para fluxo de caixa.
As novas regras
estão sendo elaboradas pela Receita Estadual e deverão ser publicadas em breve
por meio de decreto, alterando critérios do Regulamento do ICMS (Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços). O objetivo é reduzir a pressão para
essas empresas, complementando as medidas de crédito.
Para as empresas
que possuem créditos de ICMS acumulados, será permitido transferir parte dos
créditos próprios habilitados na "Conta Investimento" do Siscred.
Essa medida se aplica a todos os contribuintes que exportaram para os Estados
Unidos em 2024.
A utilização dos
créditos homologados será proporcional à receita de exportações para os EUA em
relação ao faturamento total do ano passado, dentro dos limites da liberação.
De acordo com o
secretário da Fazenda, Norberto Ortigara, as medidas vão dar suporte às
empresas que exportam para os EUA, minimizando os impactos financeiros das
novas barreiras comerciais. “Vamos garantir a continuidade das operações no
mercado internacional e ajudar as empresas paranaenses nesse momento de crise”,
diz.
Outras medidas
auxiliam as empresas que desejam se beneficiar do diferimento do ICMS. Neste
caso, elas precisarão comprovar que mais de 50% de sua receita bruta é
proveniente de exportações. Essa exigência foi reduzida de 80% para 50% e
estará em vigor até 2026. O objetivo é estimular as empresas que tiveram
redução de exportação com o aumento das tarifas de mercado pelos Estados
Unidos.
As diretrizes
gerais serão detalhadas em uma resolução futura, já que o decreto inicial não
trará todas as especificações. “A expectativa é que o decreto ajude as
indústrias paranaenses a manterem sua competitividade e seus empregos, mesmo
diante das incertezas do comércio exterior”, enfatiza Ortigara.
MAIS R$ 1
BILHÃO – O Governo do
Paraná também separou R$ 1 bilhão para direcionar para devolução do Siscred a
partir de janeiro de 2026, mas com a condição de investimentos no Paraná Fundo
de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Paraná FIDC), também
conhecido como "plano safra estadual". A ação, formalizada pela
resolução número 450/2025, tem como objetivo fortalecer a longo prazo a cadeia
produtiva do agronegócio paranaense. Dessa maneira, empresas que adquirem cotas
terão direito ao mesmo montante de retorno do Siscred, antecipando uma
devolução que, pelo regramento tributário, demoraria mais anos.
EXPORTAÇÕES AOS
EUA – Um
levantamento preliminar realizado pela Secretaria da Fazenda e pela Receita
Estadual do Paraná aponta que cerca de 700 empresas no Estado têm mais de 1% de
seu faturamento vindo de exportações para os Estados Unidos.
Entre essas, 16
empresas se destacam, com mais de 90% de sua receita proveniente do mercado
norte-americano. O setor madeireiro é o principal responsável por essas
exportações, sendo o item mais comercializado pelas empresas paranaenses para
os EUA.
O Paraná vende, em
média, US$ 1,5 bilhão por ano em produtos aos Estados Unidos. Até junho de
2025, foram US$ 735 milhões. Os principais produtos são madeira e derivados
(MDF, esquadrias, portas, etc), mas nos últimos quatro anos mais de 90 grupos
de produtos paranaenses alcançaram o mercado norte-americano, como máquinas,
combustíveis minerais, plástico, alumínio, açúcar, café, adubos, borracha,
produtos farmacêuticos, móveis, peixes, óleos vegetais, entre outros.
FINANCIAMENTOS DO
BRDE E FOMENTO PARANÁ – Como outra medida de apoio às empresas paranaenses, o Governo do
Paraná implementou via Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE)
uma linha de crédito que disponibiliza inicialmente R$ 200 milhões para
empresas e cooperativas paranaenses exportadoras, valor que pode ser revisto a
depender da demanda.
Desse montante, até
o momento já foram protocolados pedidos de R$ 137 milhões para 16 empresas. Os
valores serão utilizados para financiamento de capital de giro, com prazo de 5
anos, sendo um ano de carência, e taxa de juros de IPCA + 4%, menor do que a
maioria das linhas de crédito disponíveis.
A Fomento Paraná
também vai atender empresas que tiveram prejuízo, mas com valores abaixo de R$
500 mil, principalmente para microcrédito e créditos especiais para pequenos
empreendedores, com atendimento personalizado. A instituição financeira tem R$
200 milhões para aplicação em micro e pequenas empresas e também fará
renegociações de empresas que comprovarem impactos da tarifa.
No âmbito da Secretaria da Fazenda, empresas afetadas pelo tarifaço
dentro do programa Paraná Competitivo podem pedir flexibilização dos prazos de
investimentos para que não fiquem sem fôlego.





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