Folha Paranaense
Agência Criativa
Jaguariaíva – Morreu nesta quarta-feira (14) o
açougueiro Alcides Miguel de Castro, conhecido como Cide, vítima de uma
tentativa de homicídio brutal registrada no último domingo (11), em pleno
centro da cidade. O caso, que já havia chocado a população pela extrema
violência, ganhou contornos ainda mais revoltantes após a confirmação da
motivação do crime.
Alcides foi
violentamente agredido com pauladas na cabeça em frente ao Bar e Lanchonete
Lisboa, na Rua Rafael Petrucci, após ser atraído para fora do estabelecimento.
Mesmo inconsciente, continuou sendo golpeado, sofrendo ferimentos gravíssimos,
inclusive com perda de massa encefálica. Ele foi socorrido em estado crítico e
encaminhado ao Hospital Carolina Lupion, sendo posteriormente transferido para
Ponta Grossa, onde permaneceu internado, porém não resistiu aos ferimentos e
faleceu nesta quarta-feira.
Crime
motivado por vingança
De acordo
com a investigação da Polícia Civil, o homicídio teve origem em um episódio
ocorrido no ambiente de trabalho da vítima. Alcides atuava como açougueiro em
um supermercado da cidade e flagrou uma mulher tentando furtar uma peça de
carne. Ao adverti-la, a situação foi registrada por câmeras, e as imagens
acabaram circulando nas redes sociais, causando constrangimento à suspeita.
Inconformado
com a exposição, o irmão da mulher, acompanhado de um comparsa, decidiu se
vingar do trabalhador. A emboscada foi planejada e executada, culminando no
ataque brutal que tirou a vida de Alcides.
Os dois
suspeitos foram presos em flagrante pela Polícia Civil, após rápida ação da
equipe da 42ª Delegacia Regional de Polícia de Jaguariaíva, e permanecem à
disposição da Justiça, agora respondendo por homicídio qualificado.
Comoção e
revolta
A morte de
Alcides causou enorme comoção na sociedade jaguariaivense. Amigos, clientes,
comerciantes e moradores manifestaram indignação diante da covardia do crime.
Nas redes sociais, mensagens de luto, pedidos de justiça e homenagens ao
trabalhador se multiplicaram.
O
historiador Rafael Pomim, colaborador da Folha Paranaense, analisou o episódio
sob uma perspectiva social e humana, destacando o impacto coletivo da
violência:
“Jaguariaíva
sempre teve aquele hábito estranho de assistir à tragédia dos outros pela
televisão, como se a distância do controle remoto fosse um talismã: acontece lá
fora, aqui não. Mas hoje a tela apagou. Hoje a notícia saiu do noticiário e
entrou pela porta de casa.”
Segundo
Pomim, Alcides representava o trabalhador comum, que cumpria seu dever com
honestidade e respeito, e acabou pagando com a própria vida por confiar no que
é certo.
“Não é
justiça. É vingança. É a falência moral de quem escolhe ferir para se sentir
forte. E, no fim, é sempre o inocente que paga a conta mais alta: a conta da
vida.”
O
historiador alerta ainda para o efeito silencioso da violência sobre a cidade:
“Quando um
homem do bem cai, todos nós perdemos um pedaço de confiança. A violência não
mata só uma pessoa: ela tenta matar a paz coletiva.”
Justiça
pelas vias legais
A Polícia
Civil reforça que o caso segue sob investigação e que todos os procedimentos legais
estão sendo adotados. A corporação também pede o apoio da população com
informações que possam contribuir com o esclarecimento de outros crimes, pelos
telefones 197 (PCPR) ou 181 (Disque-Denúncia), de forma anônima.
A morte de
Alcides Miguel de Castro deixa uma marca profunda em Jaguariaíva e reacende o
debate sobre os perigos da violência motivada por vingança e da falsa ideia de
“justiça com as próprias mãos”.
*Com
informações da Polícia Civil e análise de Rafael Pomim.*





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