Entre os municípios paranaenses, que ainda não cumpriram a meta, está
Salto do Itararé, no Norte Pioneiro, que mantem um lixão a céu aberto, a 2 quilômetros
do centro da cidade
David Batista
Os
municípios brasileiros têm até o final de 2024 para acabar com os lixões e
aterros controlados, de acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos
(Planares). “A maioria das cidades terá dificuldades de cumprir essa meta
até a data prevista. Veremos, mais uma vez, a necessidade de prorrogação do
prazo”, analisa o engenheiro Elzio
Mistrelo, coordenador do Boletim do Saneamento.
Entre os municípios paranaenses, que ainda não cumpriram a meta, está
Salto do Itararé, no Norte Pioneiro, que mantem um lixão a céu aberto, a 2 quilômetros
do centro da cidade. Em 2022 a nossa reportagem fez contato com o prefeito “Paulinho
Carijó”, que afirmou que medidas estavam sendo tomadas para resolver o problema.
Porém em abril de 2023, fotos foram feitas no local e a situação continua
inalterada e causando transtornos aos usuários moradores e agricultores que utilizam
a estrada.
Inicialmente, a
Política Nacional de Resíduos Sólidos determinou os fins dos lixões até 2014.
Os municípios não tiveram condições de cumprir a determinação e um novo prazo
foi estabelecido, encerrado em agosto de 2022. “Já enfrentamos duas
prorrogações e as prefeituras têm avançado pouco na solução do problema. Mais
uma vez, nos deparamos com uma demanda que ainda não será atendida”, aponta o
coordenador do Boletim do Saneamento.
O município de Salto do Itararé,
já fez parte de um consórcio, onde participavam os municípios de Santana do
Itararé e São José da Boa Vista, porém a prefeitura não informa absolutamente
nada sobre a saída do município do Salto, do consórcio. Hoje Salto do Itararé,
gasta dinheiro do cofre publico, para pagar uma empresa de Siqueira Campos, que
leva o lixo á quase 300 quilômetros da cidade. Novamente a reportagem, pediu
explicações ao prefeito Carijó, que respondeu via Whatsap e em seguida apagou a
mensagem.
Mistrelo explica que a
elaboração de um Plano Municipal de Resíduos Sólidos (PMRS) é um dos primeiros
passos para acabar com
os lixões e aterros controlados: “Esse é o documento que vai nortear as ações
das prefeituras nos próximos cinco ou dez anos para a destinação correta do lixo”.
O Boletim do Saneamento traz orientações
para as administrações municipais na elaboração do documento. “Apesar das
dificuldades, as prefeituras devem ficar atentas e até mesmo oferecer soluções
integradas com outros municípios, conforme já prevê o Novo Marco do
Saneamento”, afirma Mistrelo.
O Brasil produz
aproximadamente 80 milhões de toneladas de resíduos todos os anos. O
reaproveitamento e a reciclagem alcançam apenas 4% de todo o material coletado
nos municípios. De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza
Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), mais de 70% dos municípios brasileiros
já possuem coleta seletiva, mas apenas 30% das pessoas separam o lixo seco do
orgânico.·.









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