A dimensão do
desafio é evidenciada por dados operacionais da Polícia Rodoviária Federal
(PRF). Durante o período de Natal e Ano Novo de 2024 (de 20 de dezembro a 1º de
janeiro), foram registrados 262 acidentes nas rodovias federais do Paraná.
Esses sinistros resultaram em 264 pessoas feridas e 23 óbitos.
Foto: Roberto Dziura Jr/AEN
Com a proximidade
das festas de final de ano e período de férias, a Secretaria da Saúde do Paraná
(Sesa) reforça a importância do planejamento para viagens mais seguras. O
aumento previsível e concentrado do fluxo de veículos nas rodovias eleva a
incidência de acidentes e traumas graves, tornando ainda mais essencial a
adoção de comportamentos preventivos que preservam vidas.
Essas ocorrências
podem gerar uma demanda adicional por atendimentos de urgência e emergência que
precisa ser absorvida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) do Paraná,
sobrecarregando os serviços e impactando o atendimento de outras necessidades
de saúde da população.
A dimensão do
desafio é evidenciada por dados operacionais da Polícia Rodoviária Federal
(PRF). Durante o período de Natal e Ano Novo de 2024 (de 20 de dezembro a 1º de
janeiro), foram registrados 262 acidentes nas rodovias federais do Paraná.
Esses sinistros resultaram em 264 pessoas feridas e 23 óbitos.
Os reflexos da
violência no trânsito também são percebidos na rede hospitalar, que acolhe
vítimas de diferentes graus de gravidade. No 1º semestre de 2025, as rodovias
federais do Paraná registraram 3.636 sinistros, com 4.017 feridos. Foram 302
óbitos nas estradas nos primeiros seis meses do ano, o que representa
crescimento de 8,2% em relação ao mesmo período de 2024.
No trimestre de
julho a setembro de 2025, a PRF contabilizou mais 151 mortes. Assim, de janeiro
a setembro, foram 453 vidas perdidas em rodovias federais do Estado.
Os acidentes de
trânsito estão entre as principais causas de atendimentos por trauma, exigindo
equipes especializadas e leitos hospitalares. Dados da Sesa mostram que, de
janeiro a outubro de 2025, o Paraná registrou mais de 22 mil procedimentos
relativos a traumas, com custo superior a R$ 39,5 milhões. Esse volume
representa uma média mensal de 2.226 procedimentos e demonstra o esforço
permanente do sistema de saúde para cuidar de pessoas feridas.
"A atenção
redobrada nas estradas é, portanto, uma estratégia de cuidado coletivo. A
prevenção no trânsito é uma forma de cuidado com a saúde e com a vida. Cada
escolha responsável evita perdas irreparáveis, protege famílias inteiras e
contribui para que o sistema de saúde preserve sua capacidade de resposta às diferentes
necessidades da população. Quando falamos em segurança nas rodovias, estamos
falando de respeito ao outro e de compromisso com a vida”, destacou o
secretário estadual da Saúde, Beto Preto.
A redução de
acidentes passa, necessariamente, pela atenção à saúde física e mental de quem
dirige. Longas viagens potencializam fatores como fadiga, privação de sono,
desidratação e estresse, que reduzem a capacidade cognitiva e o tempo de reação
— elementos essenciais para chegar ao destino em segurança.
Para que as viagens
de férias ocorram sem tragédias e com mais cuidado coletivo, a Secretaria
apresenta um guia de prevenção baseado em condutas responsáveis
Dicas:
Foco no
percurso – O uso de celulares, GPS ou tablets desvia a
atenção visual e cognitiva da via, especialmente em rodovias onde a condução
ocorre em velocidades mais elevadas. A orientação é manter atenção exclusiva na
estrada, pois nessas condições, alguns segundos de distração são suficientes
para reduzir drasticamente o tempo de reação e podem ser decisivos para a vida
de quem está no veículo, assim como de outros usuários da rodovia.
Álcool e
direção – Dirigir sob efeito de álcool compromete o julgamento, a
coordenação motora e a percepção de risco. A recomendação é clara, tolerância
zero ao álcool para quem vai conduzir como forma de proteger a própria vida e a
de terceiros.
Fadiga – Cansaço
extremo e sono insuficiente reduzem a atenção e o tempo de resposta, sendo
comparáveis à direção sob efeito de substâncias. Dormir de 7 a 8 horas antes da
viagem e respeitar os horários naturais de descanso são atitudes fundamentais
de autoproteção.
Hidratação e
pausas – Paradas a cada duas ou três horas ajudam a combater a
desidratação, o estresse e a perda de atenção. Alongar-se, caminhar e manter
alimentação leve contribuem para um estado de alerta adequado durante todo o
percurso. Ao adotar essas medidas durante as viagens, o motorista
contribui com trajetos mais seguros, protegendo a família e todos que
compartilham as rodovias neste período de férias. Com isso, ajuda a evitar a
lotação dos serviços do SUS.
VIDA NO
TRÂNSITO – O trabalho de vigilância e prevenção de lesões e mortes no
trânsito faz parte do Programa Vida no Trânsito (PVT), uma iniciativa que busca
tornar ruas e rodovias mais seguras para todos. O programa atua na
identificação dos principais fatores de risco e no desenvolvimento de ações
voltadas à redução de acidentes, feridos e óbitos, com foco na preservação da vida.
No Paraná, a
Secretaria da Saúde instituiu, em 2013, a Comissão Estadual Intersetorial de
Prevenção de Acidentes e Segurança no Trânsito, responsável por coordenar o
Programa Vida no Trânsito no Estado. A coordenação é compartilhada entre a Sesa
e o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran/PR), reunindo diferentes áreas
para atuar de forma integrada na promoção de um trânsito mais seguro.
A comissão é
formada por profissionais e instituições de diferentes setores e trabalha com
base em dados, educação e orientação à população, com o objetivo de reduzir
mortes e lesões no trânsito e fortalecer a cultura de cuidado e
responsabilidade nas vias.
Atualmente, 14 municípios paranaenses participam do Programa Vida no
Trânsito: Araucária, Campo Mourão, Cascavel, Curitiba, Foz do Iguaçu, Francisco
Beltrão, Londrina, Maringá, Paranaguá, Paranavaí, Ponta Grossa, São José dos
Pinhais, Toledo e Umuarama. Juntos, esses municípios concentram cerca de 44% da
população do Paraná, o que amplia o alcance das ações de prevenção e reforça a
importância do engajamento da população para a redução de mortes e lesões no
trânsito.





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