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Audiência Pública realizada na Câmara de Arapoti revela que certos vereadores deveriam passar por "recall" parlamentar


O que é um recall parlamentar (ou político)?

Recall Parlamentar é um mecanismo de democracia direta que permite aos eleitores cassar e revogar o mandato de um representante antes do fim do prazo legal, por meio de votação popular, devido à perda de confiança ou incompetência, sem exigir a comprovação de crime.

Na última quarta-feira (5), a Câmara Municipal de Arapoti realizou Audiência Pública para discutir o atendimento e a gestão do Hospital Municipal 18 de Dezembro, administrado pela CIS (Centro Integrado em Saúde).

Marcaram presença o prefeito Irani Barros, o vice Jan Pot - o Potinho, secretários municipais e representantes do setor da saúde.

Além disso, o diretor do CIS, Diego Domingues e o diretor técnico, médico Adriano Rissatti, também do Centro Integrado, que vieram preparados para explicar, tecnicamente, o funcionamento da unidade.

Ao longo de cerca de três horas, a noite foi de ampla explicação e debate, além de questionamentos de vereadores.

O texto a seguir mostra de forma mais clara as investidas de parlamentares que foram eleitos para, sim, fiscalizarem os atos do Poder Executivo, Legislar e atuarem em prol da comunidade, mas de forma inteligente e não de poucos esclarecimentos como o leitor poderá observar a seguir..

O circo do vereador Vavá


Abre-se a cortina com Luciano Vavá, convicto de que volume substitui conteúdo. Falas exaltadas, gestos largos, aquele ar de quem ensaiou no banheiro antes de sair de casa — tudo na tentativa generosa de intimidar e impressionar os ouvintes. O resultado, no entanto, foi o oposto: mais parecia um número de circo sem o palhaço feliz.

O ponto alto (ou baixo) veio quando o próprio vereador declarou, em pleno debate, que não queria ser respondido. Pois é. Em uma audiência pública, criada justamente para perguntar e ouvir respostas, o parlamentar optou pelo formato monólogo. Difícil dizer se foi arrogância, preguiça epistemológica ou simplesmente a admissão tácita de que não havia pergunta alguma — só discurso. Fica a sensação de que Vavá confundiu o plenário da Câmara com o feed das redes sociais, onde se grita e, convenientemente, ninguém responde.

Maria Olivia: a voz que aplaudiu de volta


Se Vavá representou o circo, a vereadora Maria Olivia trouxe o contraponto que incomodou — justamente por ser sensato. Em sua fala, enalteceu o trabalho dedicado da equipe de saúde do hospital e, com a autoridade de quem já foi recepcionista do próprio Hospital Municipal, lembrou o que poucos ali pareciam lembrar: que trabalhar em um hospital é, de fato, difícil.

A plateia respondeu com aplausos sequenciais. E foi curioso observar o efeito colateral desses aplausos: o desconforto visível nos vereadores que, minutos antes, criticavam de forma descomprometida, sem reconhecer a dedicação de quem realmente faz a unidade funcionar. Aparentemente, para alguns, reconhecer o mérito alheio dói mais do que qualquer questionamento técnico. Maria Olivia mostrou que dá para cobrar sem precisar pisar em quem está na linha de frente.

Cleytinho e a seletiva amnésia da tribuna


O vereador Cleytinho entregou, sem querer, uma das cenas mais reveladoras da noite. Explicação técnica sobre a estratificação de risco ele já recebeu — várias vezes, segundo o relato. O detalhe é que mulheres negras e pardas precisam ser encaminhadas para serviços de referência de risco intermediário ou alto risco, atendendo a protocolos dos Governos Federal e Estadual, não uma invenção arbitrária do Grupo CIS. Ou seja: a regra não é da CIS e, sobretudo, não pode ser alterada pela CIS.

Pois bem, diante disso tudo, o nobre vereador teve a — digamos com elegância — delicadeza de afirmar que “ainda não havia recebido esse esclarecimento”. Tradução livre: gosta de fazer da tribuna um palco, repetindo a mesma cena na esperança de que a plateia não perceba o script. A manobra é conhecida: manipular a narrativa, jogar a população contra a gestão e fingir que a explicação nunca chegou. O problema é quando a explicação já está registrada, repetida e, ainda assim, o personagem insiste no mesmo ensaio.

Jean e Romanti: a situação que não virou palanque

 

Entre tantos fogos de artifício, os vereadores Jean e Romanti trouxeram o oxigênio que faltava ao plenário. Não deixaram de apresentar insatisfações — afinal, a ideia da audiência é questionar — mas o fizeram de forma respeitosa, coerente e, pasmem, construtiva. Transpareceu que buscavam, de fato, melhorias no serviço, não cliques nem holofotes. Em uma noite de exibicionismos, a sobriedade deles quase pareceu subversiva.

Marineo Junior e o mal-entendido sobre o que é uma audiência pública


O vereador Marineo Junior chegou à audiência com a convicção de que o evento servia para discutir casos individuais. Lamentável. Casos pontuais — denúncias específicas, episódios isolados — têm endereço certo: a ouvidoria, onde podem ser apurados com o devido sigilo e rigor, sem transformar um plenário em tribunal de exceção.

Uma audiência pública existe para discutir processos de trabalho, o cumprimento de responsabilidades contratuais, fluxos de atendimento, protocolos clínicos, indicadores de gestão, transparência na aplicação de recursos, mecanismos de fiscalização e a melhoria contínua dos serviços ofertados à população. Em síntese: o sistema, não o caso individual. Um vereador que ainda não compreende essa diferença básica entre ouvidoria e plenário deveria, no mínimo, estudar antes de pedir a palavra.

Lelo e o pedido (não receitado) de Ritalina


E chegamos ao vereador Lelo, que protagonizou o momento mais — digamos — atento da noite. Perguntou sobre o respeito à divisão dos leitos em feminino, masculino e infantil. Até aí, pergunta legítima. O diretor do hospital respondeu com maestria, detalhando a organização. E então, em uma performance digna de estudo, Lelo fez o que só o desespero editorial conseguiria descrever: perguntou tudo de novo.

Foi o momento exato em que a plateia, em silêncio, quase pôde ouvir o ronronar de um diagnóstico. Vai uma Ritalina, vereador? Não por mal — seria um ato de caridade para com o diretor que acabara de responder com a paciência de um santo e a clareza de um professor.

O saldo da noite


Apesar do elenco colorido, o resultado final da audiência pode ser considerado satisfatório — mérito, sobretudo, da excelente condução do presidente da Câmara, Maicon Pot. Com firmeza e equilíbrio, ele conseguiu administrar os ânimos, manter a organização dos trabalhos e garantir respeito a todos os presentes. Também deu a devida abertura para que a população apresentasse dúvidas, relatasse experiências e sugerisse melhorias, cumprindo, assim, o verdadeiro objetivo de uma audiência pública.

Destaque ainda para a proposta do ex-presidente do Conselho Municipal de Saúde, Divair da Silva, de criar uma comissão responsável por receber, organizar e acompanhar denúncias. Uma ideia simples, madura e que, convenhamos, soa como o antídoto perfeito para evitar que tribunas públicas sejam transformadas em palanques.

No fim das contas, o Hospital 18 de Dezembro saiu da noite com mais esclarecimentos do que polêmicas. Já a Câmara, bem… a Câmara saiu com a confirmação de que tem de tudo um pouco: gente séria, gente que ensaia, gente que esquece o que ouviu e, pelo menos, um vereador para quem uma caixa de Ritalina seria um investimento legislativo.

Enfim, diante de tantos fatos mirabolantes que alguns vereadores usam na tentativa de desconstruir um trabalho sério, proposto não apenas pela gestão do Prefeito Irani de Barros e do vice Potinho, que de forma inteligente e responsável, mas também do CIS – Centro Integrado de Saúde, que assumiu o Hospital, organizou a “casa”, recolocou um ritmo de trabalho que atende a demanda do município com maestria e sobre tudo, pratica uma boa gestão, transformação e atendimento que por tempos passou por apenas críticas de desconstrução de imagem provocada por quem deveria dar as mãos  (vereadores que praticam oposição burra), num local que oferece atendimento humanizado, com responsabilidade, equipe técnica engajada que não atendem apenas um local qualquer,. Mas sim, fazem a lição de casa no Hospital 18 de Dezembro, que já se tornou referência em Arapoti e região pelo bem que proporciona a quem necessita.

Mais uma vez percebe-se que pessoas antes de se enfrentar um pleito eleitoral, devem não apenas ter popularidade e recurso, mas sim, conhecimento de causa, vontade de ajudar com o poder recebido, compromisso e estar atento às mudanças que a sociedade vive, para quando, poder usar uma tribuna ou falar em um plenário para a comunidade, poder ao menos garantir conhecimento do assunto e procurar desviar o foco crítico, provocado na maioria das vez por lado político ou o não atendimento de favores por conta de mandatos.

Aguardemos as cenas dos próximos capítulos da novela Arapotiense – Os insatisfeitos com tudo!

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