Agência Criativa
David Batista
Dívida milionária, cheques sem fundos
obriga o vereador Gean da Alemoa, firmar acordo, mas incertezas expõem
contradições e desgaste político
O vereador Gean Cezar de Carvalho, “Gean
da Alemoa”, voltou ao centro das atenções após a Justiça homologar um acordo
para pagamento de uma dívida de R$ 431.707,57 (QUATROCENTOS E TRINTA MIL SETECENTOS
E SETE MIL E CIQUENTA E SETE CENTAVOS), que se arrasta desde 2017i, através do
Processo Civil 0000591-44-2017-8.16.163, envolvendo cheques sem fundos e
cobrança judicial movida por Arildo Panichi. O caso, que já havia levado à
penhora de parte do patrimônio do parlamentar, expõe um histórico de decisões
desfavoráveis, dificuldades financeiras e contradições entre o discurso público
e a conduta privada do vereador.
Processo arrastado e penhora do
patrimônio
Após anos de tentativas frustradas de
localizar bens em nome do vereador Gean, incluindo pedidos de penhora negados
sobre veículos e imóveis sem comprovação de vínculo a Justiça determinou a
penhora de 50% da fração ideal de um imóvel registrado em nome de Gean,
preservando a parte da esposa. A medida foi necessária diante da incapacidade
do devedor de quitar voluntariamente a dívida ou apresentar garantias reais de
pagamento.
A insistência do credor em ampliar a
penhora para a totalidade do imóvel também foi rejeitada, com o Judiciário
reiterando que a constrição só poderia atingir a parcela pertencente ao
vereador, reafirmando os limites legais — e evidenciando o desgaste prolongado
do processo.
Acordo firmado às pressas e
homologado pela Justiça
A solução encontrada foi um acordo
firmado em janeiro deste ano, posteriormente homologado pela justiça,
conferindo ao documento força de título executivo judicial. Na prática, o
vereador assumiu um compromisso rígido de pagamento parcelado, sob risco de
retomada imediata da execução caso haja um único atraso. O acordo extinguiu
formalmente o processo, mas não apagou as consequências políticas e morais de
mais um episódio envolvendo negativamente o nome do vereador Dean da Alemoa.
Contradição pública: o crítico que
acumula irregularidades
Gean da Alemoa, construiu sua atuação
política baseada em críticas constantes, ataques severos a lideranças e
acusações frequentes muitas vezes desprovidas de fundamento. Entretanto,
enquanto cobra moralidade pública de terceiros, acumula um conjunto de
irregularidades pessoais que se chocam frontalmente com o comportamento
esperado de um representante eleito.
Além da dívida judicial que quase
levou à perda de patrimônio e de parcela de seu salário, o vereador já foi
flagrado utilizando motocicleta irregular (“cabrita”), circulando sem capacete
e afrontando regras de trânsito, práticas que, além de ilegais, contrapõem-se
totalmente ao discurso moralista que adota nas sessões e nas redes sociais.
Risco real de Processo por Quebra de Decoro e possível fim antecipado do
mandato
A soma dessas condutas, dívida
judicial longa, cheques sem fundos, infrações legais reiteradas e ataques à
honra de cidadãos, abre margem para questionamentos na Câmara de vereadores, sobre
quebra de decoro parlamentar. O caso pode evoluir para um processo interno que
comprometa a permanência do vereador no cargo.
Se o mandato for interrompido, cresce
a dúvida sobre a capacidade do vereador de honrar integralmente o acordo
judicial, já que parte de sua remuneração como parlamentar foi usada como
garantia no acerto da dívida milionária.
Desgaste político e impacto
institucional
O episódio enfraquece o discurso
combativo que o vereador costuma adotar e provoca desgaste à imagem do
Legislativo municipal. Em um momento em que a sociedade cobra mais
responsabilidade e coerência de seus representantes, o caso de Gean da Alemoa
se torna um exemplo de como práticas contraditórias e violações sucessivas
podem colocar em xeque não apenas a reputação de um político, mas o
funcionamento e a credibilidade de toda a instituição que ele representa.
Enquanto o acordo, que começa e ser
pago em 2026, com 40 parcelas de 5.000,00 (cinco mil reais) por mês descontados
diretos do subsídio do vereador, a instabilidade política e jurídica permanece
— e o desfecho pode definir não apenas o futuro financeiro do vereador, mas
também seu futuro político.








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